O Absoluto, o sem nome, é eternamente Uno. Quando manifestado, ele se torna dual, formando assim a Divina Trindade de muitas teogonias. A essência potencial da matéria, o interior do espaço onde se dá a manifestação donde tudo procede, que nos permite conceber o universo tal como o conhecemos, é este aspecto da Divindade. O aspecto feminino, a shakti do panteão hindu, que tudo circunscreve e abarca: simbolicamente referida como Mãe, Filha e Esposa de Deus. Filha, porque advém da Fonte Única. Esposa, porque pela ação do Espírito Santo sobre a matéria virgem tem lugar o nascimento do Cristo no mundo. Mãe, porque só por intermédio da matéria se torna possível a evolução que faz desabrochar o Cristo no coração do homem A Grande Mãe foi a primeira expressão da Divindade neste planeta.
Suas representações datam
do paleolítico e comprovam uma cosmogonia centrada no Feminino.
Representa a totalidade da criação e a unidade da Vida. Suas múltiplas manifestações recriam o
eterno ciclo de nascimento, crescimento, morte e renascimento. Ela tem sido reverenciada e amada sob inúmeros aspectos e, fundamentalmente, como a própria Terra. A sua presença é a mais fortemente arraigada no inconsciente coletivo e tem originado os mais diversos mitos, onde a donzela pura, a moça sedutora, a mãe consoladora, a fêmea nutriente, a guerreira protetora, a velha sábia, representam aspectos de uma única divindade incorporando o Eterno Feminino. Várias deusas têm sido celebradas através da história, no panteão de todas as religiões, como representações da Grande Mãe.
A doutrina cristã articulada por Paulo de Tarso, com um cunho que hoje se definiria como machista, de início tentou, mas não logrou apagar a presença do Eterno Feminino no coração da humanidade. Acabou optando por reabilitar a figura da Grande Mãe, na pessoa de Maria Imaculada, Mãe do Divino Mestre Jesus. Maria Santíssima tem cumprido a missão de Mãe da Humanidade, dispensando Amor Incondicional a todos os filhos da Terra, sendo o único Ser capaz de interferir e aliviar o peso das suas dívidas cármicas. Em seu aspecto como Rainha da Floresta, ela é aquela que nos alimenta, nutre e sacia . Cura e ensina, sempre através do vegetal. O ritual do Santo Daime foi instituido por Ela, num gesto de infinita benevolência, caridade e amor. A egrégora que comanda a doutrina do Santo Daime nas esferas superiores é denominada Mestre Império Juramidam. Nela, a Rainha da Floresta representa a polaridade feminina em equilíbrio perfeito com Deus-Pai/Filho. Pelo seu ventre encarnamos em matéria e pelo seu ventre retornaremos ao plano espiritual.
Abençoado seja o Filho da Luz que conhece sua Mãe Terra, pois é Ela a doadora da Vida
Saibas que a sua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela
Foi Ela quem te gerou e te deu este corpo que um dia tu lhe devolverás
Saibas que o sangue que corre nas tuas veias nasceu do sangue da tua Mãe Terra
O sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela borbulha nos riachos das montanhas, flui abundantemente nos rios das planícies
Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra
O alento Dela é o azul celeste das alturas do céu e os sussurros das folhas da floresta
Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos de tua Mãe Terra
Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra
A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos
Nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra que te rodeiam como as ondas do mar cercando o peixinho, como o ar tremelicante sustenta o pássaro
Tu és um com tua Mãe Terra
Ela está em ti e tu estás Nela
Dela tu nasceste, Nela tu vives e para Ela voltará novamente
Segue portanto as suas leis
pois teu alento é o alento Dela
teu sangue o sangue Dela
teus ossos os ossos Dela
tua carne a carne Dela
teus olhos e teus ouvidos são Dela também
Aquele que encontra a paz na sua Mãe Terra não morrerá jamais
Conhece esta paz na tua mente
Deseja esta paz ao teu coração
Realiza esta paz com o teu corpo.