Pablo Amaringo - Alli Machashca

Ayahuasca


O uso da bebida sacramental Ayahuasca era restrito a família imperial inca, descendente de Inti, o rei Sol. Com a destruição do império, introduziu-se junto a várias tribos indígenas da região amazônica peruana, colombiana e brasileira, onde tornou-se conhecida por vários nomes, principalmente Ayahuasca e Yagé.
Conforme relatos históricos, o príncipe Atahualpa se rendeu aos invasores espanhóis , tentando negociar a própria vida e o trono que cobiçava, em troca de grandes quantidades de ouro. Como se sabe, confiar nos espanhóis custou-lhe a vida, pois mesmo entregando dezenas de metros cúbicos de ouro, acabou assassinado.
Há alguns historiadores que acreditam que o principe Huáscar, legítimo herdeiro do trono, sobreviveu à invasão espanhola, seguindo a orientação da sagrada bebida, fugindo para a floresta amazônica. Apesar de escritos de cronistas da época dizerem que Athaualpa mandou assassiná-lo, seu corpo nunca foi encontrado.

Errôneamente denominado "chá" - uma vez que não se trata de infusão, mas de uma longa decocção do cipó cientìficamente chamado Banisteriopsis caapi com as folhas de um arbusto da família das rubiáceas, denominado  Psychotria viridis - a poção Ayahuasca difundiu-se, durante séculos, dentre as dezenas de tribos nativas da bacia amazônica, muitas vezes com acréscimo de outros vegetais.

No Xamanismo indígena a Ayahuasca pode ser usada no contexto de guerra, caça, adivinhação e cura. Seu surgimento está relacionado a diversos mitos, conforme a etnia que a utiliza.

As linhas urbanas do Santo Daime e da UDV conferiram uma roupagem cristã à bebida Ayahuasca. Por um lado, há a herança indígena segundo a qual o Daime / Vegetal é entendido como planta inteligente, "espírito-planta" com poder de nos ensinar, confortar ou punir. Por outro lado, uma forte simbologia cristã associa as revelações aos ensinamentos e tradições do Catolicismo popular.

Procura a "unio mistica" , a fusão do Eu com o Absoluto e busca, no plano individual, insights reveladores para a dis-solução de conflitos internos, através do auto-conhecimento, da compreensão de padrões cármicos e suas transformações. Atua, portanto, como instrumento de auto-conhecimento e transformação.

Plenamente inserido na filosofia da Era de Aquário, a prática neo xamânica abrange várias técnicas absorvidas pelas tradições formais e esotéricas (como orações, mantras, utilização de cristais, respiração holotrópica), enfocando recursos ligados à Bioenergética, ao Rebirthing, à Terapia com cristais e ao Raja Yoga.


:: O Senhor das Folhas

Osanyin

Conhecido como Osanyin, Aguè ou Katende (dependendo da região) o Orixá das folhas é originário de Iraô, perto da fronteira com o ex-Daomé. 

Segundo a tradição africana, é a divindade  detentora de todos os segredos, poder curativo e ritualístico das folhas. Associados à força das palavras (ofò) pronunciadas nos rituais, as cantigas de encantamento e saudações a Osanyin enquanto as folhas são manuseadas, despertam seu asè, ou seja, energia / força vital.

No ritual africano as palavras e histórias sagradas de cada folha são cantadas para despertar seu poder.

Osanyin recebeu diretamente de Olodumare – o Grande Mistério, também denominado  o Supremo Arquiteto Universal, detendo sòzinho o conhecimento de todas  as ervas.

Conta o mito que Oya, a Senhora dos Ventos, considerando esse monopólio uma injustiça, agitou os ares numa ventania violenta, soltando a cabaça onde Osanyin guardava as folhas, no alto de uma árvore. Espalhou todas as folhas pelo chão, gritando para que todos os outros Orixás viessem pegá-las. À partir daí, cada Orixá passou a ter as suas próprias folhas ritualísticas.

Pronunciando uma frase mágica, Osanyin faz com que as ervas voltem para a sua floresta, ficando cada Orixá com algumas delas, mas sem o asè. Concorda que cada Orixá poderá ter suas próprias folhas, desde que no ritual sigam seus preceitos e passem por ele.

 

Por isso, Osanyin prossegue sendo o Senhor absoluto de todas as folhas, pois só ele detém o segredo de acordar a magia que transcende a simples composição química do vegetal.

Osanyin está sempre acompanhado de Aroni, uma espécie de executor das suas ordens, conhecido no Brasil como Saci-Pererê e no folclore amazônico daimístico associado a Marachimbé. O som do seu chicote pode ser ouvido quando se adentra a floresta.

Como em todo ritual de magia, a troca  faz parte também do ritual de cura com as plantas, através de um pagamento a Osanyin.

Na tradição africana os seus sacerdotes curandeiros, Olóòsanyin, tomam vários cuidados ao adentrar a mata para colher ervas: devem manter abstinência sexual na noite anterior, sair ainda de madrugada sem dizer palavra e deixar um pagamento em dinheiro logo que chegam ao local da colheita.

Todos esses cuidados deixam claro a suma importância que as folhas possuem no ritual africano, quando se costuma dizer: Kó sí ewé, kó sí Òrìsà (sem folhas não há Orixá).

No manuseio e utilização da Ayahuasca prestamos tributo a Osanyin, pois ele é quem confere Poder às duas plantas, Jagube/Mariri e Rainha/Chacrona.

:: Tradição Histórica

Amaringo - Ayahuasca

Desde a introdução da agricultura e os conseqüentes festivais de culto à fertilidade, aparecem vestígios de divinização da natureza e do uso cerimonial de cogumelos e plantas sagradas como elo de ligação com o Divino, ou seja, as primeiras hierofanias vegetais. Ainda nos primórdios da civilização hindu encontramos no Rig-Veda alusões ao Soma, consumido ritualmente em cerimônias dedicadas ao deus Indra. Deve ser o mesmo Haoma, citado no Zend-Avesta, atribuído a Zoroastro, na Pérsia.


A Bíblia menciona uma planta, cálamo, cantada e louvada pelo rei Salomão. Um estudo dos mitos de todas as civilizações vem constatar a ação direta de enteógenos na simbologia e arquétipos que no inconsciente coletivo se apresentam. A Mente Vegetal vem proporcionando à Mente Humana "revelações" sempre idênticas, expressadas através de experiências de êxtase comuns às mais diversas tradições, culturas e épocas através da história.

O uso mágico-religioso da Ayahuasca, também denominada caapi ou yagé, passou das malocas da selva amazônica para alguns povoados da região, onde se mesclou com o catolicismo, o espiritismo, a pajelança e outros cultos de origem africana.

O uso da Ayahuasca foi, durante séculos, difundido dentre as várias tribos indígenas da região. Absorvendo o espírito das duas plantas, passavam por experências psíquicas e vivenciavam fenômenos paranormais como telepatia, premonição, regressão a vidas passadas, contatos com espíritos de desencarnados, com encantados e elementais da natureza, realizavam viagens astrais. É conhecida também a função terapêutica da Ayahuasca, na identificação de doenças e prescrição de tratamentos. No início do séc.XX, com o intercâmbio cultural entre índios e seringueiros, a Ayahuasca passou a ser conhecida e usada pelos nordestinos que colonizaram a Amazônia ocidental.

Destes contatos surgiram grupos que sincretizaram o seu uso com o catolicismo popular, normatizando doutrinas de grande penetração urbana.

Raimundo Irineu Serra ( 1892 / 1971) foi um dos que realizou trabalhos com a Ayahuasca , criando a estrutura ritual / cerimonial de uma doutrina sincrética absolutamente brasileira, por ele rebatizada de "Daime" : dai-me Luz, dai-me Amor. Fundou o Centro de Iluminação Cristã de Luz Universal (CICLU) promovendo assim um xamanismo coletivo onde todos - e não só o xamã - passaram a compartilhar ativamente a bebida sacramental. 

À partir de 1934, o Mestre Irineu começa a organizar o seu trabalho, estabelecendo normas rituais, de fardamento, de bailado, de hinários e de calendário oficial, sempre fundamentado no cristianismo - o que, na época, foi decisivo para tornar a doutrina do Santo Daime polìticamente correta num ambiente de preconceitos e perseguição aos vegetalistas nativos.

Do seu núcleo saíram várias dissidências e ramificações, destacando-se a Barquinha e o Cefluris.

Em 1961, José Gabriel da Costa (1922 / 1971) fundou a União do Vegetal, a UDV, na Amazônia, em região próxima à fronteira entre o Brasil e a Bolívia. Quatro anos mais tarde mudou-se para Porto Velho, onde consolidou a instituição que no final do séc. XX já era a maior usuária da Ayahuasca, por ele denominada Hoasca.


O crescimento e difusão dos diversos grupos religiosos que utilizam o Daime / Ayahuasca gerou resistência nos setores conservadores da sociedade , que pressionou o Conselho Federal de Entorpecentes (Confen) para embargar o funcionamento destas instituições nos grandes centros metropolitanos. No entanto,a 2 de junho de 1992, após acuradas investigações,o Conselho decidiu liberar definitivamente a utilização do chá para fins religiosos em todo o território nacional. Segundo a então presidente do Confen, Ester Kosovsky, "a investigação, desenvolvida desde 1985, baseou-se numa abordagem interdisciplinar, levando em conta o lado antropológico, sociológico, cultural e psicológico, além de análises fitoquímicas".

Em 1987, o parecer do CONFEN (Conselho Federal de Entorpecentes) concluiu que: "os rituais religiosos realizados com a bebida sacramental  Ayahuasca não trazem prejuízos à vida social e sim, contribuem para a sua maior integração, sendo notórios os benefícios testemunhados pelos membros dos grupos religiosos usuários. Institucionalizou-se como elo de ligação entre o homem e as forças programadoras do seu destino, proporcionando auto-conhecimento e auto-cura, transpondo o tempo desde a aurora da sua existência , atravessando dimensões, promovendo comunicação com o Divino .

O relator do processo de investigação, Domingos Carneiro de Sá, explicou que o fato fundamental para a liberação da bebida foi o comportamento dos daimistas e a seriedade dos centros que utilizam o chá em seus rituais:" Não foram observadas atitudes anti-sociais dos participantes dos cultos, ao contrário, constataram os efeitos integrados e reestruturantes do Santo Daime em indivíduos que antes de participarem dos rituais apresentavam desajustes sociais ou psicológicos".

A suspeita de que a bebida seria alucinógena está definitivamente descartada na resolução publicada pelo Conad. Ela chegou a ser incluída - erroneamente - na lista de substâncias proibidas pela da Divisão de Medicamentos (Dimed), mas a medida foi suspensa, provisoriamente, em fevereiro de 1986. "Suspensão essa", segundo a resolução, "que se tornou definitiva, com base em pareceres de 1987 e 1992, indicados em ata do Confen", o Conselho Federal de Entorpecentes, extinto e substituído pelo Conad.

CLIQUE AQUI para ler a resolução do CONAD (Conselho Nacional Anti Drogas)

Aroni Mestre Irineu Serra Amaringo - Forças xamânicas Jagube - Rainha

A Ayahuasca é um portal onde circulam energias universais, porisso só agrega - não segrega nem desagrega. Nele e com ele trabalham egrégoras das mais diversas tradições . Todos somos membros de uma única família universal, todos temos uma contribuição a dar.

A Terra é o nosso lar atual, a Mãe que nos gera, nutre e acolhe. Todos os seus filhos - pertencentes ao reino a que pertencerem - cumprem uma missão dentro do plano universal e merecem todos, igual reverência e respeito.

:: Farmacologia & Resolução do CONAD


Jagube/Mariri Rainha/Chacrona

As folhas da chacrona contêm o alcalóide DMT (dimetiltriptamina), com a fórmula química idêntica a de um neurotransmissor (a serotonina). Não são psicoativas quando ingeridas isoladamente, devido a rápida destruição deste alcalóide pela MAO ( monoamina oxidase), uma enzima naturalmente presente no organismo humano. Esta enzima, fisiològicamente presente no sistema digestivo, tem como função destruir as diversas monoaminas naturalmente contidas nos alimentos.  

As betacarbolinas ( harmina, harmalina e tetra-hidroharmina) contidas no cipó jagube  têm ação inibidora sobre a MAO, elevando os níveis de serotonina no organismo. Assim, cerca de trinta minutos após a sua ingestão, já atingindo o intestino delgado, seu principal alcalóide psicoativo é absorvido pela corrente sangüinea, segue até o sistema nervoso central. Efeitos purgativos e eméticos podem ocorrer.

A DMT , tão logo ingerida, é normalmente oxidada e decomposta pela enzima MAO. No caso da Ayahuasca, no entanto, ocorre que as betacarbolinas contidas no jagube inibem a enzima MAO , a ponto de evitar a degradação da DMT, possibilitando a sua absorção e penetração na corrente sabgüinea, afetando os neurônios serotonérgicos e gerando uma hiperestimulação das funções cerebrais perceptivas, cognitivas e menemônicas, que desencadeia uma liberação de emoções reprimidas, recordação de memórias remotas e geração de imagens arquetípicas. 

Por uma questão de prudência e prevenção de problemas, o uso da Ayahuasca / Santo Daime deve ser evitado concomitantemente com elementos inibidores da MAO, já que poderia levar à chamada "síndrome serotonérgica". Também não é recomendado para pessoas em tratamento com fármacos psicoativos, principalmente anti-depressivos.

O seu uso é contra-indicado para usuários dos seguintes medicamentos:

Fluoxetina (Prozac e similares), Paroxetina (Aropax, Cebrilin, Pondera), Sertralina (Novativ, Sercerin), Citalopram (Denyl, Cipramil), Imipramina (Tofranil), Desipramina (Norpramina), Clomipramina (Anafranil), Venlafaxina (Efexor), Tranilcipromina (Parnate, Stelapar), Fenelzina (Nardil), Lítio (Carboclim, Litiocar, Neurolithium), Ritalina.

Além disso, não é apropriado para pessoas com personalidades esquizóides, pré-psicóticos e neuróticos com instabilidade de identidade e altos níveis de ansiedade, como síndrome do pânico.

LEGISLAÇÃO DA AYAHUASCA NO BRASIL   -    Luis Pereira

O uso ritualiístio da Ayahuasca é garantido, no Brasil, pela Resolução n. 04 do CONAD.

Durante décadas o governo brasileiro vem estudando as atividades da Ayahuasca e inicialmente dois pareceres técnicos do antigo Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), por iniciativa da União do Vegetal, pesquisou o uso religioso do chá em duas oportunidades, em 1986 e em 1992, por meio de comissão mista interdisciplinar.

Conforme relatório do Conselho Federal de Entorpecentes, assinado pelo Dr. Domingos Bernardo Gialluisi da Silva Sá, foi concluído que as plantas utilizadas na elaboração da Ayahuasca ficassem excluídas da lista de produtos proscritos pela Dimed (Divisão Médica do Confen). Essa conclusão foi aprovada pelo plenário do Confen, baseada em pesquisa feita por um Grupo de Trabalho nomeado pelo Ministério da Justiça. O relatório atesta que não há qualquer fato comprovado de que a Ayahuasca provoque prejuízos sociais.

Cito aqui – por julga-los eloqüentes – alguns trechos do parecer do Confen de 1986, aprovador por unanimidade e assinado pelo Dr. Domingos Bernardo de Sá, que presidiu o Grupo de Trabalho incumbido de examinar a questão:

“Padrões morais e éticos de comportamento em tudo semelhantes aos existentes e recomendados em nossa sociedade, por vezes até de um modo bastante rígido, são observados nas diversas seitas. Obediência à lei pareceu sempre ser ressaltada”.

“Os seguidores das seitas parecem ser pessoas tranqüilas e felizes. Muitas atribuem reorganizações familiares, retorno de interesse no trabalho, encontro consigo próprio e com Deus, etc., através da religião e do chá”.

“O uso ritual do chá parece não atrapalhar e não ter conseqüências adversas na vida social dos seguidores das diversas seitas. Pelo contrário, parece orienta-los no sentido da procura da felicidade social, dentro de um contexto ordeiro e trabalhador”.


Perante estes e outros fatos, no dia 2 de junho de 1992, o conselho decidiu liberar definitivamente a utilização da Ayahuasca para fins religiosos em todo o território nacional. Segundo a então presidente do Confen, Ester Kosovsky, "a investigação, desenvolvida desde 1985, baseou-se numa abordagem interdisciplinar, levando em conta o lado antropológico, sociológico, cultural e psicológico, além de análises fitoquímicas."

O relator do processo de investigação, Domingos Carneiro de Sá, explicou que o fato fundamental para a liberação da bebida foi o comportamento dos usuários e a seriedade dos centros que utilizam o chá em seus rituais: Não foram observadas atitudes anti-sociais dos participantes dos cultos, ao contrário, constataram os efeitos integrados e reestruturantes com indivíduos que antes de participarem dos rituais apresentavam desajustes sociais ou psicológicos.

São muitas as instituições religiosas que hoje, no Brasil, fazem uso da Ayahuasca. E há entre elas muita diversidade de rituais e doutrinas. Mas, em comum, pode-se dizer que todas se empenham para evitar o uso inadequado do chá e para esclarecer os objetivos construtivos de suas respectivas instituições.

Com essa finalidade, foi assinada em 191, em comum acordo entre as maiores instituições usuárias da Ayahuasca, uma “Carta de Princípios”, estabelecendo procedimentos éticos comuns em torno do uso da Ayahuasca, e, sobretudo, buscando regular o relacionamento das seitas com os veículos de comunicação, de modo a evitar a perpetuação de equívocos, prejudiciais a todos.

Recentemente, em 2006, por ocasião do Seminário da Ayahusca em Rio Branco do Acre, foi instituido o Grupo Multi-disciplinar de Trabalho para os estudos da Ayahuasca, conforme resolução n. 04 do Conad, que por sua vez, após meses intensos de investigação implementaram o atual "Documento de Deontologia", que visa trazer ainda mais legalidade as atividades dos grupos legalmente constituídos. Este relatório final foi aprovado pelo GMT em 23 de Novembro de 2006.

Finalmente, no dia 26 de Janeiro de 2010, foi publicado no Diário Oficial da União - No. 17 - na página 58, a Resolução N.1 do CONAD, dando por aprovado o Relatório Final do GMT.

Defendida por todas as instituições usuárias como detentora de dons divinos, capaz de ampliar a sensibilidade humana para além da percepção normal, há mais de 40 anos, gerações vem bebendo a Ayahuasca - sob várias denominações - em rituais , tendo a oportunidade de presenciar uma profunda transformação em suas vidas.



Autoconhecimento - Gustavo Cruz INSTRUÇÕES PARA OS TRABALHOS COM A AYAHUASCA


A primeira participação é vinculada a uma entrevista prévia com o comando da Casa. Sendo o nosso ritual um trabalho de interiorização mental, não contamos com a presença de uma assistência passiva e o ingresso no salão é exclusivo para quem realmente deseje comungar o sagrado sacramento, que o que particularmente denominamos "Luz Divina".

Da preparação prévia

A participação deve ser  voluntária. Em nossa tradição não se convida para "entrar na Luz Divina", pois consideramos sagrado o livre-arbítrio de cada um e a opção deve resultar de apelo íntimo, proveniente do próprio Ser Divino presente na bebida. A bebida Ayahuasca é apenas o veículo material que propicia a manifestação do  Mestre Interior que habita cada Ser consciente. É Ele  quem vem ensinar, curar e transformar todo aquele que assim o deseja, sinceramente, dentro da sua mais profunda  intimidade. Os resultados obtidos dependem de merecimento cármico e sobretudo afinidade.

Recomenda-se uma preparação durante os três dias que precedem o trabalho.

Ela consiste em abstinência sexual, de álcool e, se possível, de carne vermelha.  Esta preparação, aliás comum a trabalhos espirituais de qualquer linha de caráter esotérico, é uma sugestão para quem deseja obter uma sintonia mais fina com a conexão que deseja estabelecer e, assim, obter um bom resultado. Não é obrigatória, pois, conforme já foi dito, respeitamos o livre-arbítrio, cabendo a cada um estar disposto ou não a acatar  as instruções de quem melhor conhece o assunto.

No trabalho é preferível que se evitem roupas pretas, pois esta cor não é condizente com a nossa linha. Homens e mulheres de calças ou saias compridas. Camisetas tipo regata, bermudas, barrigas de fora, decotes e roupas transparentes não são apropriados para a ocasião e, portanto, não são permitidos. Mesmo durante as estações quentes, é aconselhável trazer algum agasalho, pois a temperatura em Friburgo cai bastante durante a noite. Caso pretenda pernoitar nas nossas dependências, trazer roupa de cama e utensílios para a sua higiene pessoal.

Trazer para usar no salão e dependências, um calçado que não seja usado na rua. Pode ser o chinelo que usa em casa.

É importante chegar com antecedência de cerca de duas horas ao início do trabalho,  para ser entrevistado, orientado ou receber eventuais esclarecimentos.

Da atitude durante o Ritual

Rituais que utilizam uma bebida sagrada, expansora da consciência, não têm finalidade recreativa ou tampouco cumprem a tarefa de saciar a curiosidade.  Como elemento enteógeno que é, a bebida sagrada atua como elemento de re-ligação com o Divino. Portanto, faz-se necessária uma postura de respeito e concentração, condizente com a seriedade do propósito, observando os limites do espaço físico do seu corpo, evitando movimentos  desnecessários, tiques e barulhos, mantendo-se quieto para não incomodar quem está ao lado.

Os olhos devem ser mantidos, preferìvelmente, fechados. A visão a ser utilizada é a visão interior. Aquela situada no chakra frontal. A visão física desperta a curiosidade, dispersa e distrai, prejudicando a necessária concentração. O ideal é que se atinja um bom grau de relaxamento,  porém com a coluna ereta. Sem ansiedade ou qualquer tipo de expectativa.

Deparar-se com a Luz Divina, que é a nossa essência, pode causar grande emoção e até medo, a ponto de nos desconectar com aquela Realidade sublime. Vislumbrar os nossos defeitos e as ações que provocaram o nosso atraso espiritual e, por conseguinte, sofrimentos, pode causar grande tristeza e frustração. Cabe ao buscador da Luz, confiar e procurar  as soluções que possam sanar esses problemas. Geralmente eles demandam algum tipo de mudança de atitude. Um dos aspectos mais importantes do trabalho com a Ayahuasca é, justamente, iluminar as trevas interiores, tornando consciente o que até então era inconsciente ou reprimido.

Coragem e auto-contole são virtudes essenciais para o buscador sério de uma espiritualidade transcendente, que não se restrinja a fundamentos de cunho moral. Porisso, é importante confiar e não temer o que possa ocorrer durante os trabalhos, consigo ou com as demais pessoas. Se sentir necessidade, não ter escrúpulos em solicitar ajuda a um dos membros do Comando. Se vier acompanhado, não se preocupar ou tentar auxiliar a outra pessoa, confiando no Comando da Casa, que está apto a resolver qualquer tipo de problema. O trabalho é individual.

 

Um processo de limpeza pode ocorrer no momento em que a pessoa se depara com mazelas que a impedem de viver em plena harmonia, algum impasse físico, emocional ou espiritual. A limpeza se manifesta através de vômito, diarréia, lágrimas ou simplesmente mediante a conscientização de um erro e do vislumbre de sofrimentos decorrentes dessa mesma falta, como conseqüência da Lei do Carma. O processo de limpeza é passível de se repetir em qualquer situação da vida,  sempre que a pessoa dele necessitar, não constituindo indício de inferioridade e, muito menos, motivo de vergonha.

É recomendável que não se recuse qualquer dose e quantidade da Luz Divina  servidas durante o trabalho. Prezando o livre-arbítrio, não se impõe a sagrada bebida a quem quer que seja,  mas, à partir do momento em que a pessoa tomou a iniciativa de participar do trabalho, deve procurar cumprir todas as suas etapas, para dele tirar o melhor proveito  possível. Podemos assegurar que todos os participantes, ao final do trabalho, se encontrarão em condições de pleno bem-estar. Em se tratando de um trabalho de corrente espiritual, é fundamental que todos estejam na mesma sintonia. Se porventura a pessoa estiver se sentindo um pouco enjoada com a primeira dose e com receio  de tomar a segunda, a segunda dose provàvelmente proporcionará  uma alteração naquele estado, que acabará se dissipando, trazendo equilíbrio e bem-estar.


Permanecer ao ar livre, encantando-se com as maravilhas da natureza, pode ser inspirador mas não é aconselhável, uma vez que a corrente espiritual atua no salão e, salvo por necessidade de ordem fisiológica, a pessoa ali deve permanecer durante todo o tempo do trabalho. Por uma questão de segurança, o participante deverá assumir o compromisso de ali permanecer  até o encerramento do trabalho.

A Ayahuasca expande a consciência, deixando a pessoa mais sensível, física e espiritualmente, não sendo prudente sair à rua sem que o Comando tenha dado o trabalho por concluído. Procure se informar sobre a duração do trabalho para não se dispersar com ansiedades relativas ao controle do tempo.

Considerações Finais

Rituais que utilizam uma bebida sagrada, expansora da consciência, não têm finalidade recreativa ou tampouco cumprem a tarefa de saciar a curiosidade.  Como elemento enteógeno que é, a bebida sagrada atua como elemento de re-ligação com o Divino. Portanto, faz-se necessária uma postura de respeito e concentração, condizente com a seriedade do propósito, observando os limites do espaço físico do seu corpo, evitando movimentos  desnecessários, tiques e barulhos, mantendo-se quieto para não incomodar quem está ao lado.

Jamais houve, na história desta planta sagrada, qualquer ocorrência negativa causada pelo seu uso adequado. Ao contrário, só se registram curas e transformações  nos âmbitos material e espiritual.
As experiências proporcionadas pela Ayahuasca são , geralmente, inesquecíveis e resultam em  aprendizado, conscientização e expurgo de sentimentos que geram atitudes perniciosas para a nossa vida e evolução espiritual. Porisso consideramos as atividades do Céu da Águia Dourada uma verdadeira Escola, pois a cada Jornada um aprendizado sério e sob-medida é realizado, cobranças são detectadas e a evolução pessoal se concretiza.

Nesta Escola o ingresso e a permanência de qualquer participante é voluntária. Se a pessoa, após meses ou até muitos anos de participação, considera que já aprendeu o suficiente ou  já não tem disposição para colocar em prática os ensinamentos recebidos, é livre para se retirar.  

Não é permitido fumar nas dependências do Céu da Águia Dourada. Consideramos este espaço um local de cura para diversos tipos de enfermidades e, portanto, seria incoerente liberar o uso de substâncias nocivas à saúde ou cultivar um vício num local destinado à cura. Não é permitido, tampouco, se ausentar das nossas dependências, durante os trabalhos, para fumar na rua.

O Céu da Águia Dourada  é uma entidade sem fins lucrativos, porém, seria importante frisar que o custo de produção da bebida Ayahuasca é alto. A manutenção das nossas instalações com eletricidade, água, velas, incensos e resinas, essências, papel higiênico, material de limpeza, também não é barata. Nada mais justo, portanto, que se estipule, para a participação nos trabalhos, a contribuição  mínima de R$ 30,00, à fim de compensar essas despesas.


 

 


 


 



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